sábado, novembro 15






novos conceitos de comunicação









Juan Munõz: Retrospectiva - Fundação Serralves até 18 Janeiro 2009



sábado, outubro 4




7 Artistas ao 10º Mês



Revelar o invisível







"respeitar o espírito que esteve na origem desta iniciativa, escolhendo artistas de
algum modo invisíveis, embora já com algum percurso expositivo, mas que, por uma ou outra razão, têm permanecido nas margens do sistema comercial".

Joana Bastos, S�érgio Dias, Raquel Feliciano, Andr�é Gon�çalves, Jorge Maciel, Jo�ão Ferro Martins, Eduarda Silva

Fundação Calouste Gulbenkian
02-10-2008 a 11-01-2009
Terç�a a domingo das 10h00 à�s 18h00






domingo, agosto 10





JOHN CAGE - ARIA






this piece is dedicated to Cathy Berberian (clic), one of the most talented voices in 20th century.

The first thing that one can notice is the particular but at the same time simple musical notation traceable in the score: a sequence of curved lines each one roughly describing the pitch path requested for the emission of sound





segunda-feira, agosto 4











foi ontem. num fim de tarde fabuloso no Parque Eduardo VII. com puffs no meio do jardim. sol e sombra! onde distribuíam bebidas geladinhas! humm! soube tão bem!
parabéns groove 4tet. adorei! em especial o sax do Zé Maria.



sexta-feira, julho 18






Não importava que a história já tivesse começado, porque há muito que o Kathakali descobriu
que o segredo das Grandes Histórias é elas não terem segredo nenhum.

As Grandes Histórias são aquelas que já ouvimos e queremos voltar a ouvir. Aquelas onde
podemos entrar e morar confortavelmente. Que não nos enganam com calafrios e finais acrobáticos.
Que não nos surpreendem com o imprevisto. Que são tão familiares como a casa onde moram.
Ou o cheiro da pele de um amante. Sabemos como acabam, porém, ouvimo-las como se não soubessemos.

Nas Grandes Histórias quem vive, quem morre, quem encontra o Amor, é quem não encontra. E contudo
queremos saber de novo...

É esse o seu mistério e a sua magia.
(O Deus das Pequenas Coisas - Arundhati Roy)
Bom fim de semana



segunda-feira, julho 14





persona


ingmar bergman





theory of the double
the concept of the double
the identity,
loosing your identity.
everything you want to be
is in this media archetype
but then
when you have it
its a major let down
a major disappointment



sábado, julho 12




merry xmas mr. lawrence



Do you remember that Christmas?

Yes. It was a good Christmas, wasn't it?

It was a wonderful Christmas. You were drunk.

May I go on and on being drunk? Sake is wonderful.

Thank you. Father Christmas.Thank you.

There are times when victory is very hard to take.

Good bye. Hara-san.

God bless you.

Merry Christmas!

Merry Christmas, Mr. Lawrence




quinta-feira, julho 10




JAZZ ÀS 5ªas
CCB - cafetaria quadrante





JulhoDia 3SINGULARITY TRIOALÍPIO C. NETO MASA KAMAGUCHI CLARENCE BECTON Dia 10MARK HELIAS OPEN LOOSETONY MALABY MARK HELIAS TOM RAINEY Dia 17 (Integrado no CCB FORA DE SI)TRIO SONIC MOTIONJORGE REIS HUGO ANTUNES ANDRÉ SOUSA MACHADO
Dia 24 (Integrado no CCB FORA DE SI)SCOTT FIELDS FREETETSCOTT FIELDS SEBASTIAN GRAMSS (A ANUNCIAR)Dia 31 (Integrado no CCB FORA DE SI)SÉRGIO PELÁGIO/MÁRIO FRANCO QUARTETLUÍS CUNHA SÉRGIO PELÁGIO MÁRIO FRANCO PEDRO SEGUNDO
Agosto
Dia 7 (Integrado no CCB FORA DE SI)THE LIVING THING SEXTETJOSÉ MENESES GONÇALO MARQUES DANIEL VIEIRA JÚLIO RESENDE JOÃO CUSTÓDIO PEDRO VIANA Dia 14 (Integrado no CCB FORA DE SI)FUNDBUREAUSTEPHAN MEIDELL HUGO ANTUNES LUÍS CANDEIAS Dia 21 (Integrado no CCB FORA DE SI)MIGUEL MARTINS “KALEIDOSCÓPIO” MIGUEL MARTINS CARLOS BICA JOSÉ SALGUEIRO
Dia 28 (Integrado no CCB FORA DE SI)ANDRÉ MATOS TRIOANDRÉ MATOS DEMIAN CABAUD ALEXANDRE FRAZÃO




terça-feira, julho 8

domingo, julho 6





a comédia e a tragédia


chirico




"... uma das principais características da comédia é o engano. frequentemente, o cómico está baseado no facto de uma ou mais personagens serem enganadas ao longo de toda a peça. à medida que a personagem vai sendo enganada e que o equívoco vai aumentando, o público (que sabe de tudo) vai rindo cada vez mais...


...a função da tragédia é provocar por meio da paixão e do temor a expurgação ou purificação dos sentimentos (catarse)..."
wikipédia


tão actual...

quinta-feira, junho 26



a prisioneira






"comecei por me apaixonar pela biografia de Emily Dickinson e, finalmente, pela sua poesia. fiquei fascinada por aquela personalidade "fiteira" exemplar, que, embora estivesse em clausura por vontade própria, não perdia pitada do que se passava quer entre os que lhe eram próximos, quer na própria sociedade americana." - ana nobre gusmão




domingo, junho 15









...i'm only 30 and like the cat i have nine times to die. this is number three

...dying is an art, like everything else. i do it exceptionally well. i do it so it feels like hell.




sábado, junho 14










gosto de trabalhos manuais.
trabalhos em que possa divagar, ao mesmo tempo que "crio". nada de muito intelectual. algo que me permita pensar em coisas que não têm nada a ver com o que estou a fazer e ver o resultado, depois de algumas horas de sonho acordado.

vou (tentar) dedicar-me ao origami.














afinal, os aviões que fazíamos, ou os "quantos queres?" com pintas coloridas, eram verdadeiros origami! ou não?!?


quarta-feira, junho 4








a imagens com sabor a....proporciona-lhe recordações ímpares.

já pensou ficar com a recordação dos 18 anos da sua filha? do baptizado do seu sobrinho?
das bodas dos seus pais? dos 5 anos da sua afilhada?

a imagens com sabor a...faz a cobertura da sua festa!

e para que dê vida às suas recordações, convida, através de download gratuito, a que faça, de uma forma fácil e divertida, os seus próprios albuns, agendas, etc.

dê vida aos kilos de imagens que vai acumulando!

divirta-se!



domingo, junho 1



um dos melhores filmes que vi este ano!


Título original: La Graine et le Mulet
Realização: Abdel Kechiche
Intérpretes: Habib Boufares, Hafsia Herzi, Farida Benkhetache, Abdelhamid Aktouche, Bouraouïa Marzouk, Alice Houri
França, 2007


Na cidade costeira de Sète, França, Beiji, pai de família, de sessenta anos, desempregado, esforça-se por manter a família unida. Tem o peso do falhanço em cima dos ombros e um sonho, o de construir um restaurante.

O filme retrata, além de outras questões, o estigma ainda vivido pelos imigrantes (árabes, neste caso) e as tensas relações familiares, devido ao emprego precário, às relações extra-conjugais, ao stress do dia a dia.

Os diálogos de Rym, a enteada, de personalidade fortissima, com o padrasto e com a mãe, são os momentos altos do filme, na minha opinião. O sotaque cerradissimo, o uso do calão a "200 à hora" e a impulsividade do discurso, de forma inteligente, prende-nos ao écran e deixa-nos com a sensação de estarmos na cozinha ou no quarto a assistir às cenas.

Cena semlhante a de uma mulher repetidamente traída pelo marido, que finalmente grita a sua dor.

Numa tentativa de manter os convidados à mesa do restaurante-barco (o cuscuz foi esquecido no porta-bagagens do carro, que entretanto foi levado pelo irmão) Rym inicia uma dança do ventre sublime! Lamentavelmente, o objectivo não foi conseguido...







adivinhem o que é o meu jantar, hoje...é que o cheiro emanava do écran...

sábado, maio 31




" u n d e r m y s k i n "

de Inez Wijnhorst,

G a l e r i a M o n u m e n t a l

Campo dos Mártires da Pátria, 101
Lisboa
telf. 21353 38 48

8 de Maio a 21 de Junho, de terça a sábado, das 15h00 às 19h30











" O múltiplo é, não apenas o que tem muitas partes, mas também o que está dobrado de muitas formas."

Gilles Deleuze, A dobra

.


Quantos gestos são precisos para ordenar o mundo, para o dobrar e guardar em caixas?
A procura de sempre. A inquietação que nos traz ocupados. A procura da ordem oculta das coisas. Primeiro a geometria. O sentido que organiza o aleatório tornando-o inteligível. Acreditar. Querer crer numa estrutura do caos. Concentrar a inteligência na trama rigorosa do pensamento matemático e sobrepô-lo ao mundo.

Em seguida usar a ironia da ilusão. Recriar engano antigo, roubado a outras culturas, de inventar a dimensão oculta, a terceira dimensão no mundo da tela. Aglutinar a forma, repeti-la sem limite, revelando o que não existe, inventando a impossível profundidade. Herança de quem ousou imaginar as leis da perspectiva ou de quem rasgou uma tela. Deixar ver para lá dos dois eixos. Amplificar a falsidade com a ilusão da luz. Escurecer o fundo. Usar a mancha e a linha branca para cortar a tela e remontá-la outra vez. Dobrar a tela infinitamente. De forma sempre diferente. Repetir as três figuras geométricas simples e experimentar a ilusão de serem sempre distintas.

Depois, o desenho da caixa. A aproximação à imagem do objecto, daquilo que a mão conhece. Transformando o nível abstracto do pensamento geométrico e atribuindo-lhe uma familiaridade quase doméstica. Repetir o gesto, somando as mesmas formas, tornando-as distintas. Ler nestas formas os dias, de tal forma diversos que não acreditamos que são feitos sempre da mesma matéria: de horas, de estações do ano, de segundas e terças-feiras. Sobre estas caixas, iguais e outras, redesenhar a vida, soltando-a da trama, desrespeitando os seus limites. Os factos e as imagens das escadas, das mesas e dos barcos de papel. As caixas, as casas e os corpos.

Outra vez soltos, impossíveis de circunscrever no interior da trama que se descobriu. Tropeçamos de novo no mundo, nos objectos fora de sítio, nos factos fora de sítio, indiferentes à mais elementar das lógicas. A experiência individual sempre pronta a escapar ao entendimento. São sempre assim os factos, dificilmente compreensíveis. Há que guardá-los em caixas. Serão, pelo menos, nossos.

Sofia Pinto Basto, Maio 2008



quarta-feira, maio 14




pierrot le fou - 1965 - godard









cheap trick - surrender








Mommy's alright, Daddy's alright, they just seem a little weird.
Surrender, surrender, but don't give yourself away, ay, ay, ay.

Father says, "Your mother's right, she's really up on things."
"Before we married, Mommy served in the WACS in the Philippines."
Now, I had heard the WACS recruited old maids for the war.
But mommy isn't one of those, I've known her all these years.




sexta-feira, maio 9




duffy - mercy






I love you
but i gotta stay true
my morals got me on my knees
I'm begging please stop playing games

I don't know what this is
cos you got me good
just like you knew you would

I don't know what you do
but you do it well
I’m under your spell

Chorus
You got me begging you for mercy
why won't you release me
you got me begging you for mercy
why won't you release me
I said release me

Now you think that I
will be something on the side
but you got to understand
that i need a man
who can take my hand yes i do

I don't know what this is
but you got me good
just like you knew you would

I don't know what you do
but you do it well
I’m under your spell

You got me begging you for mercy
why wont you release me
you got me begging you for mercy
why wont you release me
I said you’d better release yeah yeah yeah

I'm begging you for mercy
yes why wont you release me
I'm begging you for mercy

you got me begging
you got me begging
you got me begging

Mercy, why wont you release me
I'm begging you for mercy
why wont you release me

you got me begging you for mercy
I'm begging you for mercy
I'm begging you for mercy
I'm begging you for mercy
I'm begging you for mercy

Why wont you release me yeah yeah
break it down



terça-feira, maio 6




regresso a casa


eliza scidmore



Tábuas improvisadas ajudam um homem a regressar a casa após um dia de trabalho nos campos de arroz.

A fotografia de Eliza Scidmore (escritora, fotógrafa, geógrefa e primeiro elemento feminino do conselho de administração da National Geographic Society) foi publicada em Julho de 1914.

Eliza adorava o Japão e fez a primeira visita ao país em 1885.

A última ocorreu em 1929, quando as suas cinzas foram enterradas num cemitério de Yokohama. (margaret g. zackowitz)







domingo, maio 4







andré kertesz



elegia do vício



Admiro os viciados.

Num mundo em que está toda a gente à espera de uma catástrofe total e aleatória ou de uma doença súbita qualquer, o viciado tem o conforto de saber aquilo que quase de certeza estará à sua espera ao virar da esquina.

Adquiriu algum controlo sobre o seu destino final e o vício faz com que a causa da sua morte não seja uma completa surpresa.

De certo modo, ser um viciado é uma coisa bastante proactivista.

Um bom vício retira à morte a suposição.

Existe mesmo uma coisa que é planear a tua fuga.




Chuck Palahniuk, in "Asfixia"




poSSe



foto john vink




Dir-se-á que os possuidores dos capitais pessoais são forçados, para viver, a cedê-los, dia a dia, aos capitalistas que dispõem dos bens visíveis e estão, por isso, ao seu serviço.

Mas essa dependência, para quem vê claro, é recíproca: um proprietário de terras, mesmo que possua meio país, é como se não tivesse nada, se não encontra camponeses que façam frutificar os seus latifúndios; o grande fabricante tem de vender como sucata as suas excelentes máquinas, se não conta com operários que as façam funcionar e produzir lucros; o político está às ordens do especulador, mas este não poderá efectuar os seus negócios, se não dominar, por meio daquele, a opinião pública e o Estado; e se médicos, advogados e professores não poderiam viver sem doentes, culpados e ignorantes, é igualmente verdade que os segundos, em determinados momentos, não podem prescindir dos primeiros.
Até o aleijado, o cego e o leproso obtêm um certo rendimento das suas muletas, da sua escuridão e das suas chagas.

Por conseguinte, aqueles a que os instigadores da plebe chamam «possuidores de nada», «destituídos» ou «deserdados» não existem.

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'

sexta-feira, maio 2



Crime. Disse ele!




Não tenho seguido muito de perto o caso "maddie". Desde o início que achei tratar-se de um rapto e as questões relacionadas com a pedofilia são das poucas que me fazem enfiar a cabeça na areia. Por uns tempos.

Ontem ouvi, estupefacta, que os MCcann não sabem a quantas anda o processo, porque são arguidos!! E sem provas!

Tudo porque um ex agente da PJ, de mentalidade provinciana e insuportável não só quebra o segredo de justiça, como se aproveita da situação para escrever um livro!

Como é que um "tipo" que escreve, provavelmente inspirado em Simenon e Conan Doyle, adopta esquemas de oposição binárias e não traça um plano analítico....nem ao diabo lembra!

Mentalidades pobrezinhas. O bem e o mal. O medievalismo insuportável!

Será por isto que o país não avança!?! Só pode...









take II





quem viu diz que foi simplesmente...genial!!







flying in a blue dream - 1989


quarta-feira, abril 30

aos meus marias. lá fora a lutar...ops...too much in the fantasy world. still.


(Continuação do post anterior)






to free the blue collars around the world

from the evils of capital

that's where we find our Guy Debord







para o intruso e art&tal





well i have some questions to ask you

we don't like questions unless we have the answer first



but then...i dont understand this place

you must somehow find...mr. guy debord. he knows all the answers for the SPEcTAcle



quarta-feira, abril 23








Sinopse

Maria, que traz um filho dentro da barriga, conta à sua filha a história da sua infância. Uma história simples, de uma criança feliz.
O que torna esta história especial é o facto de Maria ter dois pais: O Pedro e o Paulo.

Este livro não pretende ser um panfleto. Pretende, ao invés, contribuir para que do imaginário infantil faça parte a diversidade dos modos de amar. E, nesse sentido, este é um livro pioneiro em Portugal.


Pela primeira vez, a edição nacional de literatura para a infância contempla a diversidade das formas de parentalidade. E fá-lo sem falsos moralismos.

A sua autora, Manuela Bacelar, é já conhecida do público português, nomeadamente das crianças. Ilustradora de renome, é autora e co-autora de algumas das obras incontornáveis de literatura infantil (Os Ovos Misteriosos, Tobias, O Meu Avô, O Dinossauro, Sebastião, Bernardino...), tendo ganho vários prémios nacionais e internacionais.


Ficha técnica
Título: O Livro do Pedro (maria dos 7 aos 8)
Autor: Manuela Bacelar (Texto e ilustração)
Colecção: Triciclo Voador/8
Preço de capa: 12 €
Ano de Publicação: 2008
Nº de páginas: 40
Formato: 21 x 25 cm
Suporte: livro cartonado
ISBN: 978-972-36-0938-7
Editor: Edições Afrontamento



domingo, abril 20




«Good Morning, Mr. Orwell»


Nam June Paik

«Good Morning, Mr. Orwell»




In «1984», the novel he wrote in 1948, George Orwell sees the television of the future as a control instrument in the hands of Big Brother in a totalitarian state.

Right at the start of the much-anticipated Orwellian year, Paik was keen to demonstrate satellite TV's ability to serve positive ends such as the intercontinental exchange of culture combining both highbrow and entertainment elements.

A live broadcast shared between WNET TV in New York and the Centre Pompidou in Paris and hooking up with broadcasters in Germany and South Korea reached a worldwide audience of over 10 or even (including the later repeat transmissions) 25 million. The broadcast carried forward Paik's videotape ‘Global Grove' of 1973 – an early, pioneering concept aimed at international understanding through the vehicle of TV – by expanding the concept with the possibilities of satellite transmission in real time.

Although abundant technical hitches sometimes rendered the results unpredictable, Paik deemed that this merely served to increase the ‘live' mood. The mixture of mainstream TV and avant-garde arts was a balancing act typical of Paik and met with more misgiving from art-oriented viewers than the audience Paik termed «the young, media oriented peiple, who play 20 channels of New York TV stations like piano keys».

The artist personally invested a large sum in the project in order to realize his vision. Asked what he would say to St. Peter at the gates to the Kingdom of Heaven, Paik instantly replied that this live show was his «direct contribution to human survival and he'll let me in

DD




quinta-feira, abril 17




(take II)








o coração também vê






daqui



O Dever de Reserva dos Juízes versus a Liberdade de Expressão




Aqui estou eu de novo a escrever sobre o nosso Amigo e Colega de Blogues, o Juiz Helder Fráguas.

Em Fevereiro de 2007, como muitos estarão lembrados, Helder Fráguas foi suspenso preventivamente do seu cargo de Juiz-Presidente do 2º Juízo Criminal do Tribunal do Seixal. Nessa altura escrevi dois posts, para esclarecer a verdadeira acusação de que era alvo e para apoiar este meu Amigo.

Em causa estava um artigo escrito por ele, em 2005, para um Jornal Regional “A Voz do Barreiro”. Com o título “Cortado às Postas”, relatava o caso de um dono de um talho que violou uma menina de 9 anos, no qual não eram referidos nomes nem usadas palavras obscenas.

Em Outubro último, o Juiz Fráguas, foi readmitido no tribunal onde desempenhava funções (Tribunal Judicial do Seixal), sem quaisquer explicações. Como é óbvio esta readmissão parecia indicar que o seu processo não iria acarretar qualquer sanção disciplinar.

Imaginem pois a admiração do Helder quando, na terça-feira passada, dia 15 de Abril, entre duas sessões de Tribunal, recebeu uma notificação do Conselho Superior de Magistratura informando-o que tinham deliberado aplicar-lhe a reforma compulsiva e que deveria suspender a sua actividade de imediato.

Esta decisão foi tomada de acordo com as deliberações que em Março último, o Conselho Superior de Magistratura (CSM) aprovou relativas ao Dever de Reserva dos Juízes, que foram, recentemente, divulgadas por diversos Órgãos de Comunicação Social.

Também os casos dos Juízes Eurico Reis e Rui Rangel foram abrangidos por estas deliberações.

Foi através do Jorge Paz que ontem tive conhecimento desta decisão que me parece excessiva. Mais tarde ouvi a reportagem no noticiário da SIC Notícias com mais pormenores.

Esta notícia, infelizmente, peca por diversas inexactidões, entre as quais a indicação que o Juiz Helder Fráguas se encontrava suspenso quando na realidade já lhe tinha sido retirada essa suspensão preventiva e estava em funções desde Outubro de 2007.

Como fiz anteriormente, não podia deixar de vir hoje, de novo, demonstrar a minha indignação e dar o meu apoio ao Helder.

Segundo a acta da Sessão Extraordinária de 11 de Março, (que tenho em meu poder) o Plenário do Conselho Superior de Magistratura, apesar de algumas declarações contrárias, deliberou que:

“IV – O dever de reserva abrange, na sua essência, as declarações ou comentários (positivos ou negativos), feitos por juízes, que envolvam apreciações valorativas sobre processos que têm a seu cargo…”

“V – Todos os juízes, mesmo que não sejam os titulares dos processos, podem ser agentes da violação do dever de reserva;

“VI – O dever de reserva tem como objecto todos os processos pendentes e aqueles que embora já decididos de forma definitiva, versem sobre factos ou situações de irrecusável actualidade;”

A justificação para esta decisão foi a necessidade de proteger a imparcialidade, a independência e a dignidade dos Tribunais.

É óbvio que ninguém defende nem se pretende que os Juízes comentem todo e qualquer processo judicial e menos ainda que critiquem os seus colegas.

Mas impedir que um Juiz faça comentários sobre processos, passados ou terminados, é uma medida extremamente exagerada e ao contrário de dignificar os Magistrados, é sim uma maneira de “esconder” erros que poderão ter ocorrido e uma forma de retirar aos Juízes a possibilidade de se manifestarem enquanto cidadãos que são.

Não sou jurista mas sei ler e por isso considero que estas deliberações são excessivas e vagas.

Por um lado, um Juiz não podendo tecer comentários sobre um processo novo ou antigo, terminado ou não, fica impedido de participar na maioria dos debates de interesse público. Por outro, a definição de “factos ou situações de irrecusável actualidade” é extremamente vaga e pode dar origem a diferentes interpretações. Por último, os Juízes são os únicos abrangidos por estas deliberações, o que é discriminatório.

Mas o mais aberrante de tudo isto é considerar-se que o Juiz Helder Fráguas faltou à sua obrigação de Dever de Reserva ou ainda que utilize palavras impróprias nos seus textos.

Helder Fráguas escreve, desde há anos, artigos para alguns Jornais e para os seus dois blogs, um dos quais: “Aqui e Agora”, na Comunidade de bloguistas do SOL.

Sou leitora assídua deste blog e nunca li qualquer referência a processo específicos, qualquer critica a um seu colega ou qualquer palavra obscena.

O Helder escreve de uma forma extremamente interessante sobre diversos episódios a que assistiu ao longo da sua vida, tendo sempre o cuidado, como ele próprio me explicou, de alterar os nomes e sexos dos intervenientes bem como as horas e locais onde tais factos aconteceram.

O grande erro do Helder foi relatar a verdade. Ao escrever sem medos e sem rodeios e chamar as “coisas” pelos seus nomes, pelos vistos, incomodou alguns.

Neste nosso País dito democrático, a liberdade de expressão é só para alguns ou apenas quando não incomoda o status quo.

Como não tenho problemas em dizer o que penso e felizmente nem sequer corro o risco de ser aposentada compulsivamente pois já estou reformada e não por este País (e mesmo que corresse riscos) não podia ficar calada.

Porque para mim a Verdade e a Justiça são fundamentais e porque sempre lutei e lutarei pelos meus Amigos, aqui fica este meu texto de apoio ao Helder Fráguas e o desejo de que o seu recurso reponha a verdade.




Kiki Anahory Garin




sexta-feira, abril 11

Sir Ken Robinson: Do schools kill creativity?








(teacher/little girl) :

what are you doing?

i'm making a picture og God!

but...no one knows what god looks like!!

they will in a minute!!



IF YOU'RE NOT PREPARED TO BE WRONG YOU'L NEVER COME UP WITH ANYTHING ORIGINAL

sábado, abril 5




série telas III


close-up - kiarostami








i wanted them to see me as a director who is aware of people's sufferings and difficulties







quarta-feira, abril 2





série telas III






what if we all chose this way out of every tiny problem ?
there would be no one left on earth






terça-feira, abril 1





TEORIA DE MURPHY...OOPS....TEORIA DO GATO FLUTUANTE





clique na imagem para aumentar


















terça-feira, março 25

Interrompo a série "Telas" para divulgar um texto que li "ainda" sobre a relação "aluno/professor" e que achei de uma inteligência ímpar!

daqui



De como eu, professora, chorei, enxuguei as lágrimas e voltei a chorar

Gosto do que faço e esmero-me na preparação da aulas. As horas são tardias, mas teimo em construir materiais pedagógicos adequados às turmas que estão sob a minha responsabilidade.

É que nem sempre os manuais servem para o efeito; muito menos as fichas que existem noutros livros e noutros lugares, elaboradas para outras situações que não as que os meus alunos e as minhas alunas vivem naquele preciso momento. Já foi o tempo em que me perdia com caixinhas e cartolinas coloridas. O dinheiro não chega para tudo e passei a ser mais comedida. Continuo a fotocopiar o que me parece interessante e depois recortar para fazer montagens à medida dos meus meninos e das minhas meninas. Há também o esmero nas apresentações em powerpoint e no treino solitário da leitura expressiva.

Há que preparar tudo, não permitir que a linguagem esteja nem abaixo do nível desejado nem acima a ponto de ser tornar opaca, hermética, incompreensível. Eles sabem da minha paixão pelo mundo do Verbo e eu aproveito a flexibilidade e a curiosidade para lhes falar de coisas outras e entrar, de mansinho, pelo mundo dos valores.

Leio com atenção os textos que me entregam e que estão para além do programa a ser cumprido. Poemas, contos, cartas de amor. Eles e elas exigem uma resposta honesta e argumentada. E, por isso, eu avanço pela noite dentro. Como tantos outros milhares de colegas professores.

Foi de coração aberto que regressei ao 3º ciclo do ensino básico, depois da provação do desemprego sem direito, ainda que inconstitucional, ao subsídio devido. Uma oferta de escola, para substituir uma professora que deu em doida com a nova geração. Era uma professora antiga e por isso, achava eu, mais susceptível a indignações e chiliques afins. Muni-me de leituras do foro da psicologia para enfrentar um punhado de adolescentes com as hormonas aos trambolhões.

Descobri, porém, um mundo muito cão. Turmas de fugir. Entrei na sala, pedi para entrarem com preceito, mandaram-me para o caralho. Sim, assim, com todas as letras. Desculpem, podem repetir?, acho que não ouvi bem... P'ró ca-ra-lho. O dedo espetado, a mão nas partes, o riso, a galhofa... Mandei-os para a rua e marquei-lhes falta. Fui chamada ao Conselho Executivo e ali me disseram que não podia mandar alunos para a rua por dá cá aquela palha. Estupefacta. Petrificada. Sentar com os pés em cima da mesa, recusar-se a sentar com preceito, escarrar para o chão, chamar a professora de monhé e mandá-la para o caralho, não é propriamente aquela palha. Que eles são uns marginalizados, que muito aguentam eles em casa, que na escola exprimem o que lhes vai na alma, pais presos, traficantes ou drogados, mães prostitutas, CPCJ à perna. Uma desgraça. Pois, mas eu não sou psicóloga nem assistente social. Professora. Tenho um programa a cumprir e quero, muito, que eles descubram as maravilhas da língua francesa. Falei com os directores de turma. Que era assim em todas as aulas, com todos os professores. Uma luta diária por uma causa talvez perdida.

Aula seguintes, a começar do zero. Estronsa, chamavam-me eles. Quem me conhece reconhece o trocadilho, certo? Reforço positivo, reforço positivo, reforço positivo... eu bem queria aplicá-lo. Mas como, se não econtrava nada de positivo?
Decidi-me pelos materiais feitos para eles. Algumas directas, um investimento extra e, voilà, rap francês, cartolinas, fotos, cores. Quando entrei na sala, havia alguns papéis no chão. Segui o conselho de uma colega experiente e apanhei-os, para dar o exemplo. Não resultou. Isso, limpa a merda que nós fazemos. Falta disciplinar e comunicado ao Director de Turma. Não vale a pena, estronsa, que isso não serve para nada, você sabe muito bem disso. Nem para a rua nos pode mandar!... Rasgaram as cartolinas que lhes dei, que não iam levar lixo para casa. Atiraram cascas de pevide para o chão. Saltaram. Gritaram.

Eu sou um vulcão que pouca gente conhece. Consigo dominar os sentimentos e manter uma transparência calma e quase imperturbável. O ascendente em gémeos adocica o temperamento fogoso do meu signo. Mas nesse dia a dor foi tão profunda, o desespero tão intenso, a frustração tão real que as lágrimas romperam. E enquanto eles riam, eu chorei. Chorei muito, pela primeira vez em toda a minha vida de professora. Chorei muito, pela primeira vez em toda a minha vida de adulta em público. Chorei por mim e chorei por eles. Chorei por começar a acreditar que eram uma causa perdida. Chorei por saber que estava ali uma porção do futuro.

Não sou das que se deixa desistir facilmente. Sou carneiro. E isso diz tudo. Na aula seguinte, enxuta, experimentei outra estratégia. A dos afectos em simultâneo com o desprezo total. Meus amigos, querem aprender não querem aprender é convosco. Para o ano eu não estarei cá e recuso-me a ficar doente como a vossa professora anterior por causa de um punhado de gente que não merece um peido. Calaram-se, esbugalhados. Não é todos os dias que uma professora fala assim. E mais, fazemos um pacto. Vocês tentam aprender alguma coisa e eu ensino-vos outras, assim à margem. Queremos saber como engatar gajas no verão, stôra. Queremos aprender palavrões. Muito bem. E ficam com o meu contacto no messenger. Comigo falam só em francês.
À noite já eles me tinham adicionado às suas contas. Bom sinal. Depois, aprenderam o bonjour, o excusez-moi, o pardon, o merci, o je peux entrer, o s'il vous plaît, e, também, t'es belle, je t'aime, e, ainda, palavras como putain, merde, con ou connard. Fui assistir aos jogos de futsal de uns, passei a almoçar com outros. E, depois, numa aula, vieram ter comigo e, com uma palmadinha nas costas, que eu era fixe e que tinha passado no teste deles. Aprovada com distinção. Depois foi mais fácil. A ordem restaurou-se; a aprendizagem a passo de caracol.

Na reunião final tinha bastantes negativas para dar. Não vale a pena o choradinho, amigos. Quem sabe sabe, quem não sabe azar. Pois é, madame, tem razão, para o ano vai ser melhor. Afinal, francês até é fixe!

Reunião de conselho de turma. O aluno A tem 4 negativas, há que levantar uma nota para poder passar. Vai a votação, sobe a Francês. Não pode, impossível. Pode sim, a mudança de professor a meio do ano causou intabilidade. Foi a votação. Passou. O aluno B está a atingir a idade limite do ensino obrigatório. Pedagogicamente recomenda-se a aprovação. Segue Francês. Não pode. Pode sim. Instabilidade do corpo docente. E o aluno C, e o aluno D e assim por diante. Mas, ó colegas, eu estou parva, vocês estão parvos ou estamos todos parvos? É assim, senão chumba na reunião do pedagógico e chamam-nos em Agosto. E a gente vem e consolida a argumentação, não? Não, porque as directrizes do Ministério são muito claras.

...É preciso dizer mais alguma coisa?

domingo, março 23

segunda-feira, março 17








Seis "short-stories" passadas na noite de Lisboa, filmadas de maneira despretensiosa. A steady-cam atrás dos actores denuncia a (propositada) fraca imagem do filme.
Fragmentos de histórias de amor, solidão, amizade, obsessões ou infidelidades, com destaque para o diálogo entre Fernando Lopes e Nick Sandows (o pugilista - poderia ser Berlarmino...). "É necessário cair, são necessárias derrotas para saborear os prémios ".


Outros actores: Michael Imperioli e John Ventimiglia, (Sopranos), Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Ana Padrão, Drena de Niro (filha de Robert de Niro) e...Joe Berardo, que aparece no filme a dizer a Fernando Lopes que não daria mais dinheiro para o filme. Sobre esta frase JB disse que era muito fácil fazê-la num "take", pois era umas das que utilizava mais durante o dia...


Realizador - Bruno Almeida - 43 anos, nasceu em Paris, cresceu em Lisboa e vive em NY. Lovebirds foi distinguido como prémio do júri Fantasporto.


domingo, março 16


A aula de música




Em Vermeer as mulheres aparecem a maior parte das vezes com as mãos condignamente ocupadas; desde a música que as mais ricas tocam em vários instrumentos, enquanto as de menos posses fazem renda, ou deitam leite numa vasilha para fazer bolos.... Mantêm os olhos no regaço e não são mulheres com crianças ao colo, como é típico dos quadros de cunho religioso da época. Estamos na Holanda e não na Itália renascentista. Mulheres que bebem e se divertem, que olham para fora dos quadros desconfiadas, amedrontadas, quando não olham curiosas ou esperançosas pela janela... (daqui)


terça-feira, março 4




maria gabriela llansol (1931-2008)


"ofereço-lhes o texto que escrevo, ignoro se o entendem, como
ignoro se a minha presença activa bate asas como a borboleta
que causa um tufão sobre o Pacífico
'é para si', e concluo 'é para nós'"



quinta-feira, fevereiro 28



"O problema da tradução da poesia fica dividido entre duas noções: a de textualidade e a de literalidade. A literalidade corresponderia ao que seria a reprodução integral do próprio sentido; a textualidade, à manifestação verbal do poema considerada em si mesma. É sabido que a tradução literal em poesia é impossível porque compromete infalivelmente o poema no seu todo. Na poesia há, com efeito, valores que não são só semânticos. É o caso do ritmo, da rima, dos acentos, da entoação, etc.

A tradução poética põe problemas complexos, relacionados com o facto do poema traduzido se increver num novo espaço verbal, o da língua de chegada. Aí, os significantes são deferentes e as palavras, nessa passagem de uma língua para outra, não encontram a mesma rede conceptual em que os sentidos se posicionam. A tradução confronta-se com essas experiências diversificadas. Por isso, a língua de chegada, no caso da poesia, tem de viver de múltiplos compromissos e, até, de artifícios em que se conjuguem os referidos valores semânticos e rítmicos. O lugar dessa chegada tem que ser também um poema. Tem de passar da literalidade para a textualidade.

No livro "Através do Ar", de autoria de Casimiro de Brito e Ban'ya Natsuishi, a questão já está resolvida (em quatro línguas: japonês, português, inglês e francês). Encontramos várias versões de haiku a partir de poemas alternadamente traduzidos pelos autores. Cada um deles aparece também em tradução inglesa deste género poético japonês que é Stephen Rickert, falava na "arte do inacabado". Trata-se, com efeito, de um género sumamente elíptico. Ele vive de sugestões, de impressões ambiguamente visualizadas, de condensações. Há uma referência nesses poemas a uma realidade fugitiva, evanescente.
Consideremos este poema de Casimiro de Brito:

Não te esqueças de mim,

dizem os homens uns aos outros,
afastando-se.

As traduções que o livro inclui são como ondas concêntricas em torno do mesmo instante poético. Ora a palavra ondulação talvez seja uma das que mais se adequam ao espírito do haiku: as imagens visuais - derivadas quase sempre da Natureza - estão presentes, mas perdem a sua acuidade perceptiva para ganharem outro registo. O seu sentido literal, no acto de leitura, fica desfocado. Mas - acrescente-se - não desaparece... A noção de afastar-se, no haiku citado, ficou a oscilar entre o sentido da despedida e de radical esquecimento. Qual destes prevalece?"


excerto de "crónica de poesia" , de Fernando Guimarães - JL



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