domingo, abril 27
quarta-feira, abril 23
Sinopse
Maria, que traz um filho dentro da barriga, conta à sua filha a história da sua infância. Uma história simples, de uma criança feliz.
O que torna esta história especial é o facto de Maria ter dois pais: O Pedro e o Paulo.
Este livro não pretende ser um panfleto. Pretende, ao invés, contribuir para que do imaginário infantil faça parte a diversidade dos modos de amar. E, nesse sentido, este é um livro pioneiro em Portugal.
Pela primeira vez, a edição nacional de literatura para a infância contempla a diversidade das formas de parentalidade. E fá-lo sem falsos moralismos.
A sua autora, Manuela Bacelar, é já conhecida do público português, nomeadamente das crianças. Ilustradora de renome, é autora e co-autora de algumas das obras incontornáveis de literatura infantil (Os Ovos Misteriosos, Tobias, O Meu Avô, O Dinossauro, Sebastião, Bernardino...), tendo ganho vários prémios nacionais e internacionais.
Ficha técnica
Título: O Livro do Pedro (maria dos 7 aos 8)
Autor: Manuela Bacelar (Texto e ilustração)
Colecção: Triciclo Voador/8
Preço de capa: 12 €
Ano de Publicação: 2008
Nº de páginas: 40
Formato: 21 x 25 cm
Suporte: livro cartonado
ISBN: 978-972-36-0938-7
Editor: Edições Afrontamento
domingo, abril 20
«Good Morning, Mr. Orwell»
Nam June Paik
«Good Morning, Mr. Orwell»
In «1984», the novel he wrote in 1948, George Orwell sees the television of the future as a control instrument in the hands of Big Brother in a totalitarian state.
Right at the start of the much-anticipated Orwellian year, Paik was keen to demonstrate satellite TV's ability to serve positive ends such as the intercontinental exchange of culture combining both highbrow and entertainment elements.
A live broadcast shared between WNET TV in New York and the Centre Pompidou in Paris and hooking up with broadcasters in Germany and South Korea reached a worldwide audience of over 10 or even (including the later repeat transmissions) 25 million. The broadcast carried forward Paik's videotape ‘Global Grove' of 1973 – an early, pioneering concept aimed at international understanding through the vehicle of TV – by expanding the concept with the possibilities of satellite transmission in real time.
Although abundant technical hitches sometimes rendered the results unpredictable, Paik deemed that this merely served to increase the ‘live' mood. The mixture of mainstream TV and avant-garde arts was a balancing act typical of Paik and met with more misgiving from art-oriented viewers than the audience Paik termed «the young, media oriented peiple, who play 20 channels of New York TV stations like piano keys».
The artist personally invested a large sum in the project in order to realize his vision. Asked what he would say to St. Peter at the gates to the Kingdom of Heaven, Paik instantly replied that this live show was his «direct contribution to human survival and he'll let me in.»
DD
quinta-feira, abril 17
O Dever de Reserva dos Juízes versus a Liberdade de Expressão
Aqui estou eu de novo a escrever sobre o nosso Amigo e Colega de Blogues, o Juiz Helder Fráguas.
Em Fevereiro de 2007, como muitos estarão lembrados, Helder Fráguas foi suspenso preventivamente do seu cargo de Juiz-Presidente do 2º Juízo Criminal do Tribunal do Seixal. Nessa altura escrevi dois posts, para esclarecer a verdadeira acusação de que era alvo e para apoiar este meu Amigo.
Em causa estava um artigo escrito por ele, em 2005, para um Jornal Regional “A Voz do Barreiro”. Com o título “Cortado às Postas”, relatava o caso de um dono de um talho que violou uma menina de 9 anos, no qual não eram referidos nomes nem usadas palavras obscenas.
Em Outubro último, o Juiz Fráguas, foi readmitido no tribunal onde desempenhava funções (Tribunal Judicial do Seixal), sem quaisquer explicações. Como é óbvio esta readmissão parecia indicar que o seu processo não iria acarretar qualquer sanção disciplinar.
Imaginem pois a admiração do Helder quando, na terça-feira passada, dia 15 de Abril, entre duas sessões de Tribunal, recebeu uma notificação do Conselho Superior de Magistratura informando-o que tinham deliberado aplicar-lhe a reforma compulsiva e que deveria suspender a sua actividade de imediato.
Esta decisão foi tomada de acordo com as deliberações que em Março último, o Conselho Superior de Magistratura (CSM) aprovou relativas ao Dever de Reserva dos Juízes, que foram, recentemente, divulgadas por diversos Órgãos de Comunicação Social.
Também os casos dos Juízes Eurico Reis e Rui Rangel foram abrangidos por estas deliberações.
Foi através do Jorge Paz que ontem tive conhecimento desta decisão que me parece excessiva. Mais tarde ouvi a reportagem no noticiário da SIC Notícias com mais pormenores.
Esta notícia, infelizmente, peca por diversas inexactidões, entre as quais a indicação que o Juiz Helder Fráguas se encontrava suspenso quando na realidade já lhe tinha sido retirada essa suspensão preventiva e estava em funções desde Outubro de 2007.
Como fiz anteriormente, não podia deixar de vir hoje, de novo, demonstrar a minha indignação e dar o meu apoio ao Helder.
Segundo a acta da Sessão Extraordinária de 11 de Março, (que tenho em meu poder) o Plenário do Conselho Superior de Magistratura, apesar de algumas declarações contrárias, deliberou que:
“IV – O dever de reserva abrange, na sua essência, as declarações ou comentários (positivos ou negativos), feitos por juízes, que envolvam apreciações valorativas sobre processos que têm a seu cargo…”
“V – Todos os juízes, mesmo que não sejam os titulares dos processos, podem ser agentes da violação do dever de reserva;
“VI – O dever de reserva tem como objecto todos os processos pendentes e aqueles que embora já decididos de forma definitiva, versem sobre factos ou situações de irrecusável actualidade;”
A justificação para esta decisão foi a necessidade de proteger a imparcialidade, a independência e a dignidade dos Tribunais.
É óbvio que ninguém defende nem se pretende que os Juízes comentem todo e qualquer processo judicial e menos ainda que critiquem os seus colegas.
Mas impedir que um Juiz faça comentários sobre processos, passados ou terminados, é uma medida extremamente exagerada e ao contrário de dignificar os Magistrados, é sim uma maneira de “esconder” erros que poderão ter ocorrido e uma forma de retirar aos Juízes a possibilidade de se manifestarem enquanto cidadãos que são.
Não sou jurista mas sei ler e por isso considero que estas deliberações são excessivas e vagas.
Por um lado, um Juiz não podendo tecer comentários sobre um processo novo ou antigo, terminado ou não, fica impedido de participar na maioria dos debates de interesse público. Por outro, a definição de “factos ou situações de irrecusável actualidade” é extremamente vaga e pode dar origem a diferentes interpretações. Por último, os Juízes são os únicos abrangidos por estas deliberações, o que é discriminatório.
Mas o mais aberrante de tudo isto é considerar-se que o Juiz Helder Fráguas faltou à sua obrigação de Dever de Reserva ou ainda que utilize palavras impróprias nos seus textos.
Helder Fráguas escreve, desde há anos, artigos para alguns Jornais e para os seus dois blogs, um dos quais: “Aqui e Agora”, na Comunidade de bloguistas do SOL.
Sou leitora assídua deste blog e nunca li qualquer referência a processo específicos, qualquer critica a um seu colega ou qualquer palavra obscena.
O Helder escreve de uma forma extremamente interessante sobre diversos episódios a que assistiu ao longo da sua vida, tendo sempre o cuidado, como ele próprio me explicou, de alterar os nomes e sexos dos intervenientes bem como as horas e locais onde tais factos aconteceram.
O grande erro do Helder foi relatar a verdade. Ao escrever sem medos e sem rodeios e chamar as “coisas” pelos seus nomes, pelos vistos, incomodou alguns.
Neste nosso País dito democrático, a liberdade de expressão é só para alguns ou apenas quando não incomoda o status quo.
Como não tenho problemas em dizer o que penso e felizmente nem sequer corro o risco de ser aposentada compulsivamente pois já estou reformada e não por este País (e mesmo que corresse riscos) não podia ficar calada.
Porque para mim a Verdade e a Justiça são fundamentais e porque sempre lutei e lutarei pelos meus Amigos, aqui fica este meu texto de apoio ao Helder Fráguas e o desejo de que o seu recurso reponha a verdade.
Kiki Anahory Garin
sexta-feira, abril 11
quarta-feira, abril 9
domingo, abril 6
sábado, abril 5
quarta-feira, abril 2
sexta-feira, março 28
terça-feira, março 25
De como eu, professora, chorei, enxuguei as lágrimas e voltei a chorar
Gosto do que faço e esmero-me na preparação da aulas. As horas são tardias, mas teimo em construir materiais pedagógicos adequados às turmas que estão sob a minha responsabilidade.
É que nem sempre os manuais servem para o efeito; muito menos as fichas que existem noutros livros e noutros lugares, elaboradas para outras situações que não as que os meus alunos e as minhas alunas vivem naquele preciso momento. Já foi o tempo em que me perdia com caixinhas e cartolinas coloridas. O dinheiro não chega para tudo e passei a ser mais comedida. Continuo a fotocopiar o que me parece interessante e depois recortar para fazer montagens à medida dos meus meninos e das minhas meninas. Há também o esmero nas apresentações em powerpoint e no treino solitário da leitura expressiva.
Há que preparar tudo, não permitir que a linguagem esteja nem abaixo do nível desejado nem acima a ponto de ser tornar opaca, hermética, incompreensível. Eles sabem da minha paixão pelo mundo do Verbo e eu aproveito a flexibilidade e a curiosidade para lhes falar de coisas outras e entrar, de mansinho, pelo mundo dos valores.
Leio com atenção os textos que me entregam e que estão para além do programa a ser cumprido. Poemas, contos, cartas de amor. Eles e elas exigem uma resposta honesta e argumentada. E, por isso, eu avanço pela noite dentro. Como tantos outros milhares de colegas professores.
Descobri, porém, um mundo muito cão. Turmas de fugir. Entrei na sala, pedi para entrarem com preceito, mandaram-me para o caralho. Sim, assim, com todas as letras. Desculpem, podem repetir?, acho que não ouvi bem... P'ró ca-ra-lho. O dedo espetado, a mão nas partes, o riso, a galhofa... Mandei-os para a rua e marquei-lhes falta. Fui chamada ao Conselho Executivo e ali me disseram que não podia mandar alunos para a rua por dá cá aquela palha. Estupefacta. Petrificada. Sentar com os pés em cima da mesa, recusar-se a sentar com preceito, escarrar para o chão, chamar a professora de monhé e mandá-la para o caralho, não é propriamente aquela palha. Que eles são uns marginalizados, que muito aguentam eles em casa, que na escola exprimem o que lhes vai na alma, pais presos, traficantes ou drogados, mães prostitutas, CPCJ à perna. Uma desgraça. Pois, mas eu não sou psicóloga nem assistente social. Professora. Tenho um programa a cumprir e quero, muito, que eles descubram as maravilhas da língua francesa. Falei com os directores de turma. Que era assim em todas as aulas, com todos os professores. Uma luta diária por uma causa talvez perdida.
Aula seguintes, a começar do zero. Estronsa, chamavam-me eles. Quem me conhece reconhece o trocadilho, certo? Reforço positivo, reforço positivo, reforço positivo... eu bem queria aplicá-lo. Mas como, se não econtrava nada de positivo?
Decidi-me pelos materiais feitos para eles. Algumas directas, um investimento extra e, voilà, rap francês, cartolinas, fotos, cores. Quando entrei na sala, havia alguns papéis no chão. Segui o conselho de uma colega experiente e apanhei-os, para dar o exemplo. Não resultou. Isso, limpa a merda que nós fazemos. Falta disciplinar e comunicado ao Director de Turma. Não vale a pena, estronsa, que isso não serve para nada, você sabe muito bem disso. Nem para a rua nos pode mandar!... Rasgaram as cartolinas que lhes dei, que não iam levar lixo para casa. Atiraram cascas de pevide para o chão. Saltaram. Gritaram.
Eu sou um vulcão que pouca gente conhece. Consigo dominar os sentimentos e manter uma transparência calma e quase imperturbável. O ascendente em gémeos adocica o temperamento fogoso do meu signo. Mas nesse dia a dor foi tão profunda, o desespero tão intenso, a frustração tão real que as lágrimas romperam. E enquanto eles riam, eu chorei. Chorei muito, pela primeira vez em toda a minha vida de professora. Chorei muito, pela primeira vez em toda a minha vida de adulta em público. Chorei por mim e chorei por eles. Chorei por começar a acreditar que eram uma causa perdida. Chorei por saber que estava ali uma porção do futuro.
Não sou das que se deixa desistir facilmente. Sou carneiro. E isso diz tudo. Na aula seguinte, enxuta, experimentei outra estratégia. A dos afectos em simultâneo com o desprezo total. Meus amigos, querem aprender não querem aprender é convosco. Para o ano eu não estarei cá e recuso-me a ficar doente como a vossa professora anterior por causa de um punhado de gente que não merece um peido. Calaram-se, esbugalhados. Não é todos os dias que uma professora fala assim. E mais, fazemos um pacto. Vocês tentam aprender alguma coisa e eu ensino-vos outras, assim à margem. Queremos saber como engatar gajas no verão, stôra. Queremos aprender palavrões. Muito bem. E ficam com o meu contacto no messenger. Comigo falam só em francês.
Na reunião final tinha bastantes negativas para dar. Não vale a pena o choradinho, amigos. Quem sabe sabe, quem não sabe azar. Pois é, madame, tem razão, para o ano vai ser melhor. Afinal, francês até é fixe!
Reunião de conselho de turma. O aluno A tem 4 negativas, há que levantar uma nota para poder passar. Vai a votação, sobe a Francês. Não pode, impossível. Pode sim, a mudança de professor a meio do ano causou intabilidade. Foi a votação. Passou. O aluno B está a atingir a idade limite do ensino obrigatório. Pedagogicamente recomenda-se a aprovação. Segue Francês. Não pode. Pode sim. Instabilidade do corpo docente. E o aluno C, e o aluno D e assim por diante. Mas, ó colegas, eu estou parva, vocês estão parvos ou estamos todos parvos? É assim, senão chumba na reunião do pedagógico e chamam-nos em Agosto. E a gente vem e consolida a argumentação, não? Não, porque as directrizes do Ministério são muito claras.
...É preciso dizer mais alguma coisa?
segunda-feira, março 17

Seis "short-stories" passadas na noite de Lisboa, filmadas de maneira despretensiosa. A steady-cam atrás dos actores denuncia a (propositada) fraca imagem do filme.
Outros actores: Michael Imperioli e John Ventimiglia, (Sopranos), Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Ana Padrão, Drena de Niro (filha de Robert de Niro) e...Joe Berardo, que aparece no filme a dizer a Fernando Lopes que não daria mais dinheiro para o filme. Sobre esta frase JB disse que era muito fácil fazê-la num "take", pois era umas das que utilizava mais durante o dia...
Realizador - Bruno Almeida - 43 anos, nasceu em Paris, cresceu em Lisboa e vive em NY. Lovebirds foi distinguido como prémio do júri Fantasporto.
domingo, março 16
A aula de música
Em Vermeer as mulheres aparecem a maior parte das vezes com as mãos condignamente ocupadas; desde a música que as mais ricas tocam em vários instrumentos, enquanto as de menos posses fazem renda, ou deitam leite numa vasilha para fazer bolos.... Mantêm os olhos no regaço e não são mulheres com crianças ao colo, como é típico dos quadros de cunho religioso da época. Estamos na Holanda e não na Itália renascentista. Mulheres que bebem e se divertem, que olham para fora dos quadros desconfiadas, amedrontadas, quando não olham curiosas ou esperançosas pela janela... (daqui)












