série telas III
what if we all chose this way out of every tiny problem ?
there would be no one left on earth
De como eu, professora, chorei, enxuguei as lágrimas e voltei a chorar
Gosto do que faço e esmero-me na preparação da aulas. As horas são tardias, mas teimo em construir materiais pedagógicos adequados às turmas que estão sob a minha responsabilidade.
É que nem sempre os manuais servem para o efeito; muito menos as fichas que existem noutros livros e noutros lugares, elaboradas para outras situações que não as que os meus alunos e as minhas alunas vivem naquele preciso momento. Já foi o tempo em que me perdia com caixinhas e cartolinas coloridas. O dinheiro não chega para tudo e passei a ser mais comedida. Continuo a fotocopiar o que me parece interessante e depois recortar para fazer montagens à medida dos meus meninos e das minhas meninas. Há também o esmero nas apresentações em powerpoint e no treino solitário da leitura expressiva.
Há que preparar tudo, não permitir que a linguagem esteja nem abaixo do nível desejado nem acima a ponto de ser tornar opaca, hermética, incompreensível. Eles sabem da minha paixão pelo mundo do Verbo e eu aproveito a flexibilidade e a curiosidade para lhes falar de coisas outras e entrar, de mansinho, pelo mundo dos valores.
Leio com atenção os textos que me entregam e que estão para além do programa a ser cumprido. Poemas, contos, cartas de amor. Eles e elas exigem uma resposta honesta e argumentada. E, por isso, eu avanço pela noite dentro. Como tantos outros milhares de colegas professores.

Em Vermeer as mulheres aparecem a maior parte das vezes com as mãos condignamente ocupadas; desde a música que as mais ricas tocam em vários instrumentos, enquanto as de menos posses fazem renda, ou deitam leite numa vasilha para fazer bolos.... Mantêm os olhos no regaço e não são mulheres com crianças ao colo, como é típico dos quadros de cunho religioso da época. Estamos na Holanda e não na Itália renascentista. Mulheres que bebem e se divertem, que olham para fora dos quadros desconfiadas, amedrontadas, quando não olham curiosas ou esperançosas pela janela... (daqui)
"O problema da tradução da poesia fica dividido entre duas noções: a de textualidade e a de literalidade. A literalidade corresponderia ao que seria a reprodução integral do próprio sentido; a textualidade, à manifestação verbal do poema considerada em si mesma. É sabido que a tradução literal em poesia é impossível porque compromete infalivelmente o poema no seu todo. Na poesia há, com efeito, valores que não são só semânticos. É o caso do ritmo, da rima, dos acentos, da entoação, etc.
A tradução poética põe problemas complexos, relacionados com o facto do poema traduzido se increver num novo espaço verbal, o da língua de chegada. Aí, os significantes são deferentes e as palavras, nessa passagem de uma língua para outra, não encontram a mesma rede conceptual em que os sentidos se posicionam. A tradução confronta-se com essas experiências diversificadas. Por isso, a língua de chegada, no caso da poesia, tem de viver de múltiplos compromissos e, até, de artifícios em que se conjuguem os referidos valores semânticos e rítmicos. O lugar dessa chegada tem que ser também um poema. Tem de passar da literalidade para a textualidade.
excerto de "crónica de poesia" , de Fernando Guimarães - JL

BD Marjane - Persépolis
Marjane, iraniana. Aos 9 anos presencia a revolução islâmica no Irão, que leva à prisão milhões de pessoas e passa a obrigar o uso de burca pelas mulheres.
Com o início da guerra entre o Irão e o Iraque, os pais mandam a pequena Marjane para estudar na Áustria. Com 14 anos, enfrenta as dificuldades da adolescência numa terra estrangeira.
Terminado o secundário, Marjane põe a burca e volta para a tirânica sociedade iraniana, passando por um difícil período de readaptação. Aos 24 anos, sem poder viver calada diante das hipocrisias do seu país, muda-se para a França em busca de um futuro mais optimista.
Autobiográfico, Persépolis ganhou o prémio de melhor BD em Cannes.
fonte: marie claire