domingo, março 23

segunda-feira, março 17








Seis "short-stories" passadas na noite de Lisboa, filmadas de maneira despretensiosa. A steady-cam atrás dos actores denuncia a (propositada) fraca imagem do filme.
Fragmentos de histórias de amor, solidão, amizade, obsessões ou infidelidades, com destaque para o diálogo entre Fernando Lopes e Nick Sandows (o pugilista - poderia ser Berlarmino...). "É necessário cair, são necessárias derrotas para saborear os prémios ".


Outros actores: Michael Imperioli e John Ventimiglia, (Sopranos), Joaquim de Almeida, Rogério Samora, Ana Padrão, Drena de Niro (filha de Robert de Niro) e...Joe Berardo, que aparece no filme a dizer a Fernando Lopes que não daria mais dinheiro para o filme. Sobre esta frase JB disse que era muito fácil fazê-la num "take", pois era umas das que utilizava mais durante o dia...


Realizador - Bruno Almeida - 43 anos, nasceu em Paris, cresceu em Lisboa e vive em NY. Lovebirds foi distinguido como prémio do júri Fantasporto.


domingo, março 16


A aula de música




Em Vermeer as mulheres aparecem a maior parte das vezes com as mãos condignamente ocupadas; desde a música que as mais ricas tocam em vários instrumentos, enquanto as de menos posses fazem renda, ou deitam leite numa vasilha para fazer bolos.... Mantêm os olhos no regaço e não são mulheres com crianças ao colo, como é típico dos quadros de cunho religioso da época. Estamos na Holanda e não na Itália renascentista. Mulheres que bebem e se divertem, que olham para fora dos quadros desconfiadas, amedrontadas, quando não olham curiosas ou esperançosas pela janela... (daqui)


terça-feira, março 4




maria gabriela llansol (1931-2008)


"ofereço-lhes o texto que escrevo, ignoro se o entendem, como
ignoro se a minha presença activa bate asas como a borboleta
que causa um tufão sobre o Pacífico
'é para si', e concluo 'é para nós'"



quinta-feira, fevereiro 28



"O problema da tradução da poesia fica dividido entre duas noções: a de textualidade e a de literalidade. A literalidade corresponderia ao que seria a reprodução integral do próprio sentido; a textualidade, à manifestação verbal do poema considerada em si mesma. É sabido que a tradução literal em poesia é impossível porque compromete infalivelmente o poema no seu todo. Na poesia há, com efeito, valores que não são só semânticos. É o caso do ritmo, da rima, dos acentos, da entoação, etc.

A tradução poética põe problemas complexos, relacionados com o facto do poema traduzido se increver num novo espaço verbal, o da língua de chegada. Aí, os significantes são deferentes e as palavras, nessa passagem de uma língua para outra, não encontram a mesma rede conceptual em que os sentidos se posicionam. A tradução confronta-se com essas experiências diversificadas. Por isso, a língua de chegada, no caso da poesia, tem de viver de múltiplos compromissos e, até, de artifícios em que se conjuguem os referidos valores semânticos e rítmicos. O lugar dessa chegada tem que ser também um poema. Tem de passar da literalidade para a textualidade.

No livro "Através do Ar", de autoria de Casimiro de Brito e Ban'ya Natsuishi, a questão já está resolvida (em quatro línguas: japonês, português, inglês e francês). Encontramos várias versões de haiku a partir de poemas alternadamente traduzidos pelos autores. Cada um deles aparece também em tradução inglesa deste género poético japonês que é Stephen Rickert, falava na "arte do inacabado". Trata-se, com efeito, de um género sumamente elíptico. Ele vive de sugestões, de impressões ambiguamente visualizadas, de condensações. Há uma referência nesses poemas a uma realidade fugitiva, evanescente.
Consideremos este poema de Casimiro de Brito:

Não te esqueças de mim,

dizem os homens uns aos outros,
afastando-se.

As traduções que o livro inclui são como ondas concêntricas em torno do mesmo instante poético. Ora a palavra ondulação talvez seja uma das que mais se adequam ao espírito do haiku: as imagens visuais - derivadas quase sempre da Natureza - estão presentes, mas perdem a sua acuidade perceptiva para ganharem outro registo. O seu sentido literal, no acto de leitura, fica desfocado. Mas - acrescente-se - não desaparece... A noção de afastar-se, no haiku citado, ficou a oscilar entre o sentido da despedida e de radical esquecimento. Qual destes prevalece?"


excerto de "crónica de poesia" , de Fernando Guimarães - JL



quarta-feira, fevereiro 27



alice jorge (1924 - 2008)







Ilustrações para o conto História de Juder, o Pescador ou o Saco Encantado, traduzido por João Gaspar Simões (1903-1987), de O Livro das Mil e uma Noites, volume III (1959).



segunda-feira, fevereiro 25



BD Marjane - Persépolis


Marjane, iraniana. Aos 9 anos presencia a revolução islâmica no Irão, que leva à prisão milhões de pessoas e passa a obrigar o uso de burca pelas mulheres.

Com o início da guerra entre o Irão e o Iraque, os pais mandam a pequena Marjane para estudar na Áustria. Com 14 anos, enfrenta as dificuldades da adolescência numa terra estrangeira.

Terminado o secundário, Marjane põe a burca e volta para a tirânica sociedade iraniana, passando por um difícil período de readaptação. Aos 24 anos, sem poder viver calada diante das hipocrisias do seu país, muda-se para a França em busca de um futuro mais optimista.

Autobiográfico, Persépolis ganhou o prémio de melhor BD em Cannes.

fonte: marie claire


domingo, fevereiro 10






chuva de pessoas
estranhas
simpáticas
porém, estranhas
conhecem
gostam
difamam
não querem saber




quarta-feira, janeiro 16



MÁSCARAS E SERVIÇO PÚBLICO
Vasco Graça Moura

escritor




Palavra de honra que eu não fazia tenções de, tão cedo, voltar a falar da ASAE. Mas as notícias emocionantes do último fim-de-semana funcionaram como catalisador e espevitaram brilhantemente o meu zelo cívico.

Já aqui há tempos o respeitável inspector-geral da ASAE tinha dito, no Expresso da Meia -Noite, que alguns agentes do seu serviço surgem de carapuça nas feiras porque poderia ser desagradável para eles, que por vezes são vizinhos de gente ligada aos feirantes, serem reconhecidos na vida de todos os dias.

Esta forma de assegurar um bom ambiente convivial de vizinhança e a informação sobre o treino do pessoal da ASAE com serviços secretos e polícias estrangeiras é que produziram em mim o déclic triunfal. Eis a solução para muitos problemas!

Pensei logo nos professores. Se receberem treino de manejo de armas e de explosivos, operações de comandos, pantominas de assalto e circulação de capuz negro, não apenas ficam ao abrigo da deterioração eventual das suas relações de vizinhança e proximidade, como podem cumprir muito mais eficaz e corajosamente a sua insubstituível missão.

Os professores têm sido vítimas das mais inqualificáveis violências, quer da parte de alunos, quer da parte dos pais deles. Pois bem, se tiverem preparação militar, aprenderem a manejar uma pistola de guerra ou uma bazuca e se apresentarem nas escolas de cabeça coberta e com uniforme acolchoado correspondente, as vantagens saltam aos olhos:

Primeiro, sentirão as orelhas e o nariz muito mais agasalhados, o que não é despiciendo atentas as inóspitas condições de alguns estabelecimentos de ensino.
Segundo, não podem ser reconhecidos, o que facilita as substituições, por exemplo, quando o professor de Matemática falta e a aula de Matemática é dada pelo de Educação Física, com óbvia solução de muitos problemas de gestão de pessoal. Sem contar que ficam ao abrigo das agressões intempestivas dos encarregados da educação. Quando um aluno é castigado, tem más notas ou chumba sem apelo nem agravo, como é que eles vão saber de que professor se trata? Como é que hão-de ir à escola tirar-lhe satisfações, insultá-lo, partir-lhe a cara, ou mesmo fazer-lhe uma espera traiçoeira, pelo lusco-fusco, à porta de casa?
Terceiro, com esse musculado adestramento, os professores podem manter o respeito e a disciplina muito mais facilmente. Não só pela razão saudável de que os alunos ficarão deveras acagaçados ante uma figura mascarada que lhes explica que não foi o Marquês de Pombal quem descobriu o caminho marítimo para a Índia ou tenta dar-lhes a perceber que o nome predicativo do sujeito não é um disjuntor, mas ainda porque é muito mais difícil, se não de todo impossível, ajustarem contas com o docente cá fora.

E, quanto aos incidentes ocorridos no próprio espaço da aula, os resultados serão igualmente positivos: se o menino Zacarias tentar agredi-lo, ou se o menino Eleutério se lembrar de dar cabo da carteira ou do computador, ou ainda se se puser a tirar macacos do nariz e a beliscar o rabo do menino Teodoro até espirrar sangue, o professor, convertido em atirador especial, pode puxar da Parabellum e acertar na cabeça do menino Zacarias ou do menino Eleutério sem correr o risco de atingir o inocente menino Teodoro ou a omoplata frágil da menina Cátia Vanessa.

Depois de duas ou três cenas deste género, não pode haver quaisquer dúvidas de que o aproveitamento escolar melhorará exponencialmente e de que todos os professores, mesmo os que prestam serviço nas escolas mais problemáticas, podem viver descansados e sentir-se plenamente realizados na carreira que escolheram.

O mesmo princípio pode ser adoptado noutros serviços de interesse público. Ocorrem-me os revisores da Linha de Sintra, os condutores dos autocarros nocturnos e muitos outros.

Tudo o que é preciso é que passe a haver regulamentos que tornem isto possível. Depois, não terão sido os professores quem fez os regulamentos, tal como acontece com a ASAE que se limita a cumpri-los.
E finalmente viveremos numa democracia digna desse nome e da actuação mascarada de quantos lhe prestam serviço.


terça-feira, janeiro 15




when the routine bites hard

and ambitions are low

and the resentment rides high

but emotions wont grow

and were changing our ways,

taking different roads

then love, love will tear us apart again







jan voss







Ká Wamos Yndo


galeria antónio prates de 25 janeiro a 25 de fevereiro